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Quero a vida como no comercial de manteiga, onde todos sentam a mesa felizes e sorridentes. Não devemos apenas sobreviver, subjugando um dia após o outro, tragando a indiferença com as colheres de feijão. Deve-se viver, como o ideal noticiado. Como naquele belo trecho dos livros de autoajuda. Deve-se viver, mais do apenas existir. 

 

De todas as cenas lindas das casas de família, onde sentam a mesa essas pessoas com caras felizes cheias de tudo, sem falar nada. Engasgadas com tudo que não podem até um dia precisar fazer uma traqueostomia para tirar tudo que havia engasgado. Não existe revolução sentado ao sofá. Não existe uma evolução tranquila com arco-íris e roda de ciranda. 

 

É preciso sangrar e chorar no caminho. É preciso carregar as pedras que te jogam, para depois descobrir se fará muros com tais pedras ou usará dinamite! Perambulamos no meio de uma multidão, que é um coletivo solitário. Ansiosos para consumir o que é proposto; lhe dão uma marca para comprar, e será comprado, pois o nome prece qualidade ou status quo. 

 

Estamos perdidos sem saber. E isso é apenas um esboço do que realmente deveria ser a vida, um rascunho malfeito que nos foi dado como bênção para ser executado no cotidiano. Coma seu pão, tome seu café, e tenha um bom dia. Não pense na vida, pense somente nos problemas imediatos que devem ser cobrados.

 

Como se fosse engrenado por mentes diabólicas como só um ser humano pode ser, tudo se entrelaça de uma forma que só podemos pensar nos nossos problemas imediatos, e assim progredimos com nosso individualismo que esconde o ego enorme que carregamos, e acima de tudo, somente para contrair essa ego, que vive em uma contradição, pois nunca será realmente livre e a vida que almeja é apenas um modo de sobreviver. 

A vida como deve ser vivida, só existe nos livros e filmes utópicos.

Você está vivo, mas será que existe?
Está aqui perto de nós, mas não parece existir.
Você pensa que sabe, você acha que entende…mas quais são as preocupações?


Eu vivo, mas será que existo?
A forma como tudo acontece, a forma como tudo acontece.
Não tem como se entender todos os motivos, falta razão.
Raciocinar sobre o porque está vivo, talvez isso seja existir.


Quando se tem a perceção de existência, o que mais assusta:
Saber que existe um motivo para viver ou não ter noção nenhuma disso?
Se descobrissemos o motivo de existir, teríamos mais um fárduo, uma razão…um propósito claro.
Se não soubermos, continuaremos vivendo e comprindo o nosso papel, mesmo sem saber.


Se soubesses para que existe, utilizaria esse conhecimento para mudar a situação atual dos que não sabem?
Ou se viraria para si mesmo, sabendo que não valeria a pena ter-se o trabalho?
São tantas dúvidas, Ser e estar…

Estar e ser….estar onde e ser quem?O que é preciso, além de existir?
Muitas perguntas, retóricas e retrospectos sem respostas ou inconclusivos.
Agora basta viver, sem ter a perspectiva da visão ampla que tem a vida, sua e dos outros.
Basta viver, sem saber se é por acaso ou por algum motivo pequeno, como um detalhe essencial.
Mas o mais importante é saber, você realmente existe?