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Antes do clarão só havia as trevas. Quando nasci nada existia para mim, então devo presumir que sou Deus e o Diabo encarnado na pele de homem. Quando cheguei a esse mundo, fui inundado com todas as normas e crenças, regimes e formas, certo e o errado.


Não havia espaço para a forma livre. Era preciso duvidar do que estava predefinido, e flertar com o que haviam julgado como errado.

Antes de mim, eu não existia. Então pressupõe-se que sou meu próprio Big-Bang. Sou o precursor e a sustentação de toda a mitologia que existe. Sou o Alfa e o Omega perdido pelo meio. Sou mais um refém do destino em um jogo de cartas marcadas. 


Sou tão quanto imagino ser. Sou o novo universo que nasceu, a estrela que brilhou a anos luz, o sol que ilumina minha face de dia. Sou aquele que duvida de si mesmo. Que não teme a morte, mas sim a vida. Sou uma terra nova, uma realidade diferente, um universo paralelo a todos os outros existentes no infinito. 


Sou a ausência do ser. Há esse fardo a carregar, como um Atlas falido e cansado. Essa falsa sensação de leveza na verdade é uma insuportável leveza do ser.

Antes de saber quem eu era, ainda sim já era alguém que por sua vez se esqueceu de quem é. Não havia história. Não havia a consciência. Existo porque existo. Existo, porém não vivo; sobrevivo.


Antes do clarão, só havia a escuridão e o silêncio monstruoso que se alastrava e dominava tudo. Tudo que na verdade era nada. Antes de perceber que aqui estou, nada estava e nada nunca esteve. Até o momento terreno, em que fecharei os olhos pela última vez, quando ainda nenhuma pergunta será respondida e quando toda a saciedade de conhecimento será esquecida, junto com as dores acumuladas pelo percurso da vida, voltarei a ser nada.


As trevas que eclodem junto ao silêncio, a ausência aterradora. O vácuo que tanto assusta. O vazio que tantos fogem. Serei meu fim, uma gravura no epitáfio, minha morte, meu Deus e demônio. Serei apenas um homem morto.

 

Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo.

Jean-Paul Sartre

Existem tantas canções e poemas de amor, falando de coração partido.
Já foi dito tanto, e ainda sim, continuam a escrever mais.
Parece que já disseram tudo sobre os males do amor, mas sempre tem mais.
Apesar de tanta poesia e lirismo, eu gostaria de contribuir, deixar um pouco de mim …com imperfeições e sem rimas.
 

Viver outros sonhos…criar novas esperanças, esquecer dos planos de médio-prazo.
Esquecer as declarações de amor, a alegria de encontrar a cara-metade, ou a metade da cara.
Dos suspiros na cama, do cabelo jogado no rosto, quase sufocando no leito. Ao acordar, imagina que fará parte de um cotidiano quase fictício, existente apenas em romances e novelas.

Esquecer o coração que de tão partido parece parar aos poucos, esquecer o cheiro que tanto passeou pelas lembranças. Esquecer a alegria, que existia mesmo na espera infindável na porta do shopping.
Esquecer os sonhos e os planos . Elaborar outra vida. Esquecer as pequenas brigas pelos e-mails, a voz incessante ao telefone, e o meu tom sempre mudo .

Esquecer a felicidade que pensará ser imaginária, parecer tolo com um sorriso tosco no rosto. Há, que rapaz feliz, contraria toda sua complexidade pessoal. E o mundo com seus eternos problemas, não parecia mais tão triste. Apesar de toda a poluição no horizonte, as nuvens cinzas pareciam claras como algodão. As pessoas pareciam mais interessantes e a vida mais empolgante.

Mas como tudo que deveria começar e acabar, mostrou seu propósito. Corações partidos, espíritos e sonhos mortos, mundo triste e nuvens sempre cinza. Como tudo que leva a acabar sem ao menos dizer : “Qual a razão de tudo isso?”

A história acaba tão abruptamente como começou, e os sonhos voltam para seu universo onírico, para nunca mais voltar.
Como se pode remendar um coração partido?